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País o preferido dos brasileiros

FONTE: TEMPESTADE

Liliana (México) e Patrícia (Brasil), que escolheram Toronto para estudar.
Após décadas de hegemonia, os EUA perderam para o Canadá o título de preferido dos brasileiros que querem estudar inglês fora do país. Com o câmbio favorecido (o dólar canadense é mais barato do que a moeda americana), infra-estrutura de primeiro mundo e segurança, o Canadá atrai pelo menos 5.000 estudantes brasileiros ao ano. O número é o superior ao registrado pelo consulado dos Estados Unidos no Estado que mais concede vistos no Brasil. Só em 2003, São Paulo teve 4.900 vistos de estudantes concedidos pelos EUA.

Segundo registros do Centro de Educação Canadense -instituição pública ligada ao governo do Canadá-, o país expediu 4.782 vistos de estudante para brasileiros em 2003. Entretanto, a instituição afirma que o número real de brasileiros que estudam no Canadá é bem maior, já que boa parte ingressa no país como turista. Atualmente, não é preciso ter visto especial para estudar no Canadá por menos de seis meses. Nos EUA, o visto de estudante é exigido para cursos de qualquer duração.

De acordo com Saskia Van Viegen Stille, diretora do "Canada Association of Private Languages Schools" (Associação canadense de escolas particulares de idiomas), a maioria dos brasileiros vai ao país para fazer cursos de inglês, por até três meses. "De um modo geral, os brasileiros vêm ao Canadá depois de concluir a universidade, para estudar durante períodos de férias ou de suspensão temporária de trabalho".

A mudança de destino por parte dos estudantes ocorreu depois do atentado terrorista a Nova York, em 11 de setembro de 2001, mas outros fatores, além do medo de um novo ataque, contribuíram para que os brasileiros trocassem de rota.

Menos tolerante à entrada de estrangeiros, o governo norte-americano endureceu as normas de imigração e passou a reduzir a concessão de vistos a estudantes. O valor de face do dólar saiu do patamar de R$ 2,5 (em 2001) para R$ 3 (2004).

Paralelamente aos fatores que pesam contra a escolha dos EUA como rota de estudos, a receptividade do povo canadense é um dos motivos que contribuem para atrair visitantes do mundo inteiro. Ao contrário do que acontece nos EUA, onde os estrangeiros têm de se adaptar à cultura local para sobreviver, no Canadá a diferença cultural entre os povos é admitida e festejada.

Em Toronto -maior cidade canadense -a taxa de imigrantes chega a 44% dos 5 milhões de habitantes da região metropolitana. Juntamente com Vancouver (província da Colúmbia Britânica, na costa oeste), famosa pelas estações de esqui, Toronto, às margens do Lago Ontário (sul), é a cidade que mais trai estudantes ao país. Montréal, Calgary, Halifax, Edmonto e Winnipeg também são opções consideradas pelos estudantes.

A dança dos números
Com tantos motivos a favor do Canadá, por que então os Estados Unidos ainda ostentam um número tão elevado de estudantes brasileiros?

Agentes de viagem concordam que o país ainda é imbatível nos programas de "high school" (nível escolar de jovens entre 15 e 18 anos, equivalente ao ensino médio no Brasil).

"Os Estados Unidos continuam liderando a procura pelos programas de 'high school', e o Canadá é o primeiro em cursos de inglês de curta duração", explica Claudia Martins, do STB (Studant Travel Bureau) -uma das maiores agências de intercâmbio do país. Em 2003, o STB enviou 1.700 brasileiros para estudar no Canadá e 1.200 aos EUA.

Segundo a agente, os programas de "high school" (ensino médio) são mais atraentes nos EUA porque recebem subsídio do governo norte-maricano. "As escolas são públicas e as famílias que recebem os estudantes, voluntárias. Os custos para o estudante ficam por conta da passagem aérea, da documentação, da comissão do agente de intercâmbio e dos gastos do estudante no país", explica.

Para Roberto Passarelli, diretor do International Center Languages, em Minas Gerais, o custo de um curso de "High School" no Canadá (para estudantes de 15 a 18 anos) varia de 10 a 12 mil dólares canadenses ao ano. "Somando-se hospedagem, alimentação e transporte, esse valor pode superar 20 mil dólares canadenses ao ano, quase o dobro do que um brasileiros gartaria para cursar um ano de ensino médio nos EUA".

Mercado em ascensão
Para Joanne Uyede, vice-presidente do Canadian Education Centré Network, instituição responsável pelo marketing educacional do Canadá, o número de estudantes brasileiros no país deve crescer de 25% a 30% nos próximos dois anos.

"A educação canadense é excelente e os brasileiros estão descobrindo isso. Além disso, estamos implementando políticas educacionais que estimulam programas de trabalho e estudos ao mesmo tempo. Sabemos que isso interessa aos brasileiros".

Com uma política de imigração aberta, o país recebe cerca de 80 mil estudantes ao ano. Os asiáticos, especialmente os Coreanos, japoneses e chineses, entram no Canadá não só para aprender inglês, mas para buscar formação profissional e acadêmica nos "Colleges" (centros de formação técnica e superior) e universidades.

Os canadenses dão grande importância à formação escolar e acadêmica e gastam mais em educação (como porcentagem do produto nacional bruto) do que qualquer outro país do G-7, segundo informações de sua embaixada no Brasil.

Um título outorgado por um universidade ou "college" Canadense é reconhecido em ambientes acadêmicos, empresariais e governamentais de todo o mundo.

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